Música

Tião Carreiro – Um pouco da história e sucessos

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Conheça um pouco mais sobre um dos maiores precursores da música caipira

A música sertaneja tem muita história para contar. Desde a década de 1910, muitos nomes nobres surgiram dando vida a canções emocionantes, seja de amolecer o coração ou fazer sorrir os lábios do povo que curte o som country. Um dos grandes músicos do gênero foi José Dias Nunes, mais conhecido como Tião Carreiro. Suas canções ecoam até hoje nas rádios sertanejas, nas rodas de viola e na voz de cantores modernos. Saiba mais sobre a história e os sucessos dessa lenda da música sertaneja de raiz.

Um mineiro no interior de São Paulo

Tião Carreiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, em 13 de dezembro de 1934. Ainda criança mudou-se para o interior de São Paulo com a família. Moravam em uma fazenda na região de Araçatuba. Aos 8 anos já tinham responsabilidades em casa. Cuidava do arado e de outros afazeres da roça. Nessa época, começou a se interessar pela música e a tocar violão.

Primeiro trabalho como músico

Mas foi na adolescência que despertou sua paixão pela viola. Aprendeu a tocar praticamente sozinho, sem nunca ter tido um professor. Aos 13 anos, formou uma dupla com o primo Waldomiro, chamada Palmeirinha e Coqueirinho, e tocavam juntos no Circo Giglio.

Certa vez, quando se apresentavam em Araçatuba, o circo recebeu a dupla Tonico e Tinoco, de grande sucesso da época. Enquanto os irmãos famosos estavam no hotel, Tião encontrou a viola de Tinoco e decorou escondido a afinação das cordas para aprender a tocar o instrumento. Algum tempo depois, ganhou uma viola de presente de um amigo. A partir de então, começou a criar suas composições. Tinha como inspiração o violeiro Florêncio, da dupla Torres e Florêncio.

Diversos pseudônimos

Muito antes de ser chamado Tião Carreiro, o cantor havia tido muitos outros pseudônimos, de acordo com o parceiro com quem fazia dupla. Já se apresentou como Zezinho ao lado de Lenço Verde, foi Zé Mineiro com o amigo Tietêzinho, e também usou os nomes Palmeirinha e João Carreiro. Só em 1957 passou usar o famoso nome Tião Carreiro, sugerido pelo compositor sertanejo Teddy Vieira.

Em busca do sucesso

Suas parcerias que mais fizeram sucesso foram com Antônio Henrique de Lima (o Pardinho) e Adauto Ezequiel (o Carreirinho). No entanto, foi na dupla com Pardinho que Tião Carreiro ficou mais conhecido. Eles se conheceram em 1954, no Circo Rapa Rapa, em Pirajuí, interior de São Paulo. Na época, Tião ainda tinha o pseudônimo de Zé Mineiro.

Dois anos depois, resolveram se juntar para tentar a sorte na música na capital paulista. Lá, conheceram o compositor e produtor Teddy Vieira, que os ajudou a gravar seu primeiro disco, cuja músicas de maior sucesso foram “Cavaleiro do Bom Jesus” (de João Alves, Nhô Silva e Teddy Vieira) e “Boiadeiro Punho de Aço” (de Teddy Vieira e Pereira).

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Precursor de um novo ritmo

Tião Carreiro é conhecido por ter criado o pagode de viola. No final dos anos 1950, o cantor fez um novo ritmo nas cordas da viola e achou o som perfeito quando misturado com violão. Segundo a filha do cantor, ele nomeou esse ritmo animado como pagode porque era assim que chamavam as festas e bailes na roça em Minas Gerais.

Rei do Pagode e da Viola

Tião ficou animado com sua criação e encomendou ao amigo Lourival dos Santos uma letra que se encaixasse ao ritmo. Foi assim que, em 1960, surgiu a canção “Pagode em Brasília”, como uma homenagem à nova capital. A música fez o maior sucesso nas rádios de todo o Brasil, sendo regravada por diversos artistas ao longo dos anos. Foi assim que Tião Carreiro ficou conhecido como Rei do Pagode e da Viola.

No teatro e no cinema

A dupla Tião Carreiro e Pardinho encenaram também as peças teatrais “O Mineiro e o Italiano”, inspirado na música, e “Pai João”, que contava a história de um velho carreiro. Os artistas tiveram uma participação também no filme “Sertão em Festa”, de Oswaldo de Oliveira com história de Cornélio Pires, que estreou no cinema nacional.

De encontro com o sucesso

Ao longo de sua carreira, Tião gravou mais de 45 discos e tornou-se um ícone da música brasileira. Entre suas principais canções estão Rei do Gado, Boi Soberano, Terra Roxa, Travessia do Araguaia, Filhinho de Papai e Cochilou Cachimbo Cai. No auge de seu trabalho, Tião descobriu que tinha diabetes. Faleceu no dia 15 de outubro de 1993 em São Paulo, no Hospital da Beneficência Portuguesa.

Em 1996, grandes nomes da música sertaneja da época gravaram um CD com os maiores sucessos de Tião Carreiro. Entre os artistas participaram Chitãozinho & Xororó, Bruno & Marrone, Rick & Renner, Gian & Giovani, Sergio Reis e Zezé de Camargo & Luciano.

Agora você já sabe mais sobre a história e os sucessos de Tião Carreiro, um ícone da música sertaneja de raiz.

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One Comment

  • Pither

    Que legal! Não sabia que ele era de minha cidade. Por isso, preciso persistir até conseguir apresentar minhas composições musicais para um cantor de renome. Com fé chego lá. Parabéns pelo blog.

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